Vivências e convivências

Vivências e convivências

sábado, 1 de outubro de 2016

Pertencimento ao Secretariado




Fazer a caminhada profissional comprometido com o grupo profissional, cujo vínculo permite contribuir com o grupo, sentir-se integrado e fazendo parte da construção da história desse grupo.
 

Sim, isso significa ter pertencimento ao Secretariado, um grupo profissional que faz o juramento de
 
"exercer a profissão dentro dos princípios da ética, da integridade, da honestidade, e da lealdade; respeitar a Constituição Federal, o Código de Ética Profissional e as normas institucionais; buscar o aperfeiçoamento contínuo e contribuir, com o trabalho, para uma sociedade mais justa e mais humana."


 
 

domingo, 21 de agosto de 2016

Secretariado Executivo > cenário atual: busca por competência e comportamento ético (parte II)



A resposta: pelo viés da educação.

De acordo com Santos (2011, p. 38), Bourdieu defende que a educação assume uma importância capital na entrada para o campo profissional.  Afirma que “a formação, além de capacitar tecnicamente o futuro profissional, realiza o papel de adequação do olhar, da visão de mundo do futuro profissional às expectativas do grupo profissional.”
Nessa direção, acreditamos que a educação é e será o caminho para se (re)construir uma consciência coletiva na criação do sentimento de pertencimento ao Secretariado, bem como desenvolver as competências essenciais para se ter empregabilidade. Nada se constrói, ou se reconstrói sem educação. Só avançaremos no Secretariado, e com o Secretariado, pelo viés da educação. A educação é a chave para abrir caminho para a excelência pessoal, social e profissional, e nos permite buscar sermos melhor hoje do que ontem. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação.

 
De forma resumida e bem objetiva, fato é que precisamos manter o coração de estudante pulsando durante toda a vida.
Como diz Freire (1997, p. 28), “a educação tem caráter permanente. Não há seres educados e não educados. Estamos todos nos educando.” Afinal, o ser humano é um ser inacabado, está sempre em construção.
Defendemos um processo de educação que proporcione uma leitura de mundo, o desenvolvimento da capacidade da pessoa de se engajar em projetos e ações, consciente de sua responsabilidade social e ética; consciente da necessidade de aprender a aprender e saber pensar, para poder agir e ajudar a transformar o contexto no qual está inserida. (WAMSER, 2000). Defendemos uma educação que dê conta de (re)construir uma consciência ampliada desse pertencimento tanto ao Todo Cósmico como ao Secretariado.
Como docentes, precisamos levar os estudantes a aprender a aprender e desenvolver a responsabilidade pela construção do seu conhecimento. Para Moraes (1997), o processo de construção do conhecimento acontece através da aprendizagem, que não significa memorização pura e simples, mas significa dizer que, se o sujeito efetivamente aprendeu, será capaz de construir o conhecimento tempos depois. O sujeito constrói o conhecimento, fazendo uso do raciocínio, da percepção do mundo externo pelos sentidos e sensações, dos sentimentos, das emoções, da razão, da intuição. Constrói o conhecimento a partir de sua interação com a realidade.

Fato é que a educação formal ainda está apoiada numa visão tradicionalista que reforça a fragmentação do conhecimento, continua centrada no professor e na transmissão do conteúdo. Wamser (2000) ressalta que os conteúdos trabalhados em sala de aula raramente são extraídos do cotidiano dos estudantes, de seus problemas práticos. São, algumas vezes, tão distantes que os estudantes questionam o porquê deste ou daquele assunto.

Alguns professores, infelizmente, estão voltados unicamente para sua disciplina. São raros os que têm visão geral das disciplinas que compõem a estrutura curricular do curso de Secretariado. Assumem as aulas, mas não se comprometem com o curso. Não têm uma participação efetiva na construção do conhecimento e desenvolvimento de competências dos estudantes. Sabem pouco de seu cotidiano.

Por outro lado, há também professores empenhados em enfocar conteúdos cada vez mais próximos da realidade dos estudantes, usando a pesquisa como atitude cotidiana, evitando o mero repasse copiado de informações. Desafiam os estudantes através de reflexões, enquetes, situações-problemas e seminários, a não se contentarem em reproduzir determinado conhecimento acumulado, mas sim reelaborá-lo depois de confrontá-lo com suas próprias experiências. Enfim, propiciam condições para o estudante ler, questionar, investigar, refletir, analisar e emitir seu ponto de vista. (WAMSER, 2000)

Moraes (1997) é defensora de uma educação global que leva o estudante a trabalhar em harmonia e compreensão, a desenvolver padrões de comportamento como cooperação, criatividade, responsabilidade, respeito aos direitos humanos. Consciente de fraternidade humana e a percepção de que não estamos sós e de que não podemos crescer isolados. Podemos dizer que precisamos de um processo de educação que promova a expansão do capital espiritual com cujo potencial todo ser humano nasce, e que se reflete em valores, princípios e propósitos que compartilhamos.

Nas palavras de Zohar e Marshall (2004, p. 15), inteligência espiritual “é aquela por meio da qual acessamos nossos valores mais profundos, que nos faz usá-los nos processos mentais, nas decisões que tomamos e nas realizações que valem a pena.” A inteligência espiritual é a inteligência moral com a qual exercitamos a bondade, a verdade, a beleza e a compaixão.

Torna-se necessário, contudo, aprender a olhar sob uma perspectiva mais global, holística, integral, onde o “todo seria mais do que a soma das partes”, de acordo com Edgar Morin, lembrado por Moraes (1997, p. 72). E ao mesmo tempo “o todo está também em cada parte”, no que a autora destaca que “um indivíduo não está somente dentro da sociedade, mas a sociedade enquanto todo está também dentro do indivíduo (através de seus hábitos culturais, das influências em suas estruturas mentais etc)”.

Essa visão, para Moraes (1997, p. 73), “nos leva a compreender o mundo físico como uma rede de relações, de conexões, e não mais como uma entidade fragmentada, uma coleção de coisas separadas”. Vai exigir de cada um de nós um grande esforço, diariamente, para nos afastarmos sempre mais de uma visão de mundo cartesiana, mecânica, que nos separa de nossos relacionamentos, não reconhece a importância do contexto no qual estamos inseridos.

De forma mais objetiva, no sentido de desenvolver maior sentimento de pertencimento e competências para o exercício profissional, a educação pode colaborar ajudando o profissional a, primeiro, compreender a si mesmo (autoconhecimento), para saber quem é, qual o seu mais alto potencial, quais os seus talentos, as suas qualidades e os defeitos que possui (MORAES, 1997). Segundo, pode ajudá-lo a desenvolver uma autoconsciência crescente do que é importante na vida e na profissão, de que a sua responsabilidade é bem mais ampla do que ter o Secretariado apenas enquanto profissão. A contribuição deve ser no sentido de possibilitar a compreensão das dimensões que a profissão abarca, no que ela se constitui para a sociedade enquanto profissão, e no que ele representa para a sociedade como pertencente ao grupo profissional. Zohar e Marshall (2004) enfatizam que o ser humano tem a obrigação de assumir alguma responsabilidade pela sociedade. Parafraseando, podemos dizer que um profissional tem a obrigação de assumir alguma responsabilidade pela profissão que decidiu ter.

Em terceiro ponto, a educação pode ajudar a construir uma postura profissional pautada em princípios e valores éticos, traduzidos em credibilidade, envolvimento, comprometimento e respeito com a coletividade em forma de liderança.
 
A sustentabilidade do Secretariado como profissão será garantida com o comprometimento de todos que pertencem ao grupo profissional, e à medida que aumentar o grau de pertencimento de cada um deles.

De forma resumida, podemos dizer que demonstrar sentimento de pertencimento à profissão significa:

Ø  comprometimento e orgulho de exercê-la.
Ø  mostrar, com exemplos, que vale a pena optar pelo Secretariado.
Ø  valorizar a história de vida e levá-la em consideração na construção da carreira.
Ø  ser gestor do próprio conhecimento e construir um plano de carreira audacioso que contemple o desenvolvimento pessoal e profissional.
Ø  engajar-se em grupos de estudo, de pesquisa e de intercâmbio de experiências para aprender novas metodologias, compartilhar experiências e conhecimentos.
Ø  criar, ampliar e aprimorar as condições de assessoramento por intermédio da formação continuada para manter a empregabilidade, agregar valor e responsabilidades ao cargo.
Ø  construir uma imagem de credibilidade pela convivência harmoniosa com as pessoas nos diversos ambientes.
Ø  incentivar jovens a optarem pela profissão, enfatizando, entretanto, o quão importante é investir na formação acadêmica e profissional para atuar na área.
Ø  posicionar-se (jamais omitir-se) em discussões que porventura estejam se referindo à profissão como uma atividade de menor importância, depreciando sua imagem. Aproveitar a oportunidade para esclarecer o que é ser profissional do secretariado na atualidade.
Ø tornar-se um “líder a serviço”, ou seja, um líder disposto “a servir à comunidade, ao planeta, à humanidade, aos futuros, à própria vida”. (ZOHAR, MARSHALL, 2004, p. 37). Um líder que, ao lado das lideranças corporativas, possa atuar por intermédio de suas ideias e ações para contribuir na transformação do mundo dos negócios em um sistema mais humano e plenamente sustentável.
Certamente, essa postura de pertencimento irá, também, exigir das Instituições de Ensino Superior um sentimento de comprometimento com a formação de Secretários competentes pessoal e profissionalmente e capazes de viver e conviver com mudanças organizacionais, administrativas, tecnológicas e ambientais, e que, acima de tudo, se compreendam e sejam acessíveis, também, à compreensão das pessoas e das coisas. (WAMSER, 2000).

Entendemos que, mesmo diante do atual cenário econômico-político conturbado que estamos vivenciando no Brasil, empenhar-se na construção de competências que sejam pautadas em princípios e valores éticos é o caminho mais seguro para se ter empregabilidade e felicidade no que se faz.

Costumamos por vezes pensar, ou até verbalizar, que quem deveria participar dessa reflexão não está aqui. Verdade! Contudo, quero acreditar que é nossa missão, é a missão de quem está presente nesse Congresso, é a missão de quem tem sentimento de pertencimento à profissão, criar a sinergia com os que não puderam estar aqui, ou não quiseram estar aqui, ou não tem consciência de sua ausência de pertencimento por falta de conhecimento ou informação.

Fazer networking profissional é isso: exercitar o sentimento de pertencimento à profissão para fortalecê-la, para unificar ações, clarificar conceitos, (re)escrever o que precisa ser revisto frente às inovações  técnicas e tecnológicas.

É sair de um Congresso dessa envergadura com as energias renovadas por saber que estamos caminhando na mesma direção dentro do grupo profissional, que é a unicidade que o faz ser um grupo profissional respeitado no mundo corporativo.

Sejam todos muito felizes em suas conquistas com competência, responsabilidade e pertencimento!

 
 

Autoria: Professora Eliane Wamser

Mestra em Educação: Ensino Superior; Consultora e instrutora de treinamento nas áreas de: Etiqueta Empresarial e Protocolo Corporativo, Assessoramento Executivo e Postura Profissional no Atendimento. Especialista em desenvolvimento profissional e capacitação de profissionais do secretariado e assessoria executiva; Professora do curso de Secretariado Executivo Bilíngue da Universidade Regional de Blumenau (1992-2009);Professora do curso de pós graduação em Assessoria Executiva Empresarial, pela Universidade Regional de Blumenau, ministrando a disciplina Tempo, Organização e Planejamento.
Membro da equipe de coordenação do Grupo de Intercâmbio de Experiências de Secretárias da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (Blumenau-SC);
Parecerista da Revista Científica de Gestão e Secretariado – GeSec;
Autora do livro A secretária que faz...
Curriculum na Plataforma Lattes:  http://lattes.cnpq.br/8263111677071217

REFERÊNCIAS 

D`AMBRÓSIO, U. A era da consciência. São Paulo: Editora Fundação Peirópolis, 1997. 

FARINA, B.C.; TRARBACH, D.M.  Inclusão e a formação de lugares: do pertencimento à estigmatização. (2009) Disponível em: ttp://www.agb.org.br/XENPEG/artigos/ GT/GT3/c3%20(40).pdf Acesso em: 15 mai. 2016. 

FREIRE, P. Educação e mudança. 21.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997. 

MORAES, M. C. O paradigma educacional emergente. Campinas, SP: Papirus, 1997. 

MUSSAK, E. Metacompetência: uma nova visão do trabalho e da realização pessoal. São Paulo: Editora Gente, 2003. 

SANTOS, A. F. P. R. Principais abordagens sociológicas para análise das profissões. BIB, São Paulo, no. 71, 1º semestre de 2011, p. 25-43. 

WAMSER, E. A secretária que faz. Blumenau: Nova Letra, 2010. 

WAMSER, E. O impacto das mudanças organizacionais na profissão de secretário e a contribuição do estágio supervisionado em sua formação. 208f. 2000. Dissertação (Mestrado em Educação), Universidade Regional de Blumenau, Santa Catarina, 2000. Disponível em: http://www.abpsec.com.br/abpsec/index.php/a-pesquisa/repository/Dissertação/O-IMPACTO-DAS-MUDANÇAS-ORGANIZACIONAIS-NA-PROFISSÃO-DE-SECRETÁRIO-E-A-CONTRIBUIÇÃO-DO-ESTÁGIO-SUPERVISIONADO-EM-SUA-FORMAÇÃO/. Acesso em: 15 mai. 2016. 

ZOHAR, D.; MARSHALL, I. Capital espiritual: usando as inteligências racional, emocional e espiritual para realizar transformações pessoais e profissionais. Rio de Janeiro: BestSeller, 2006.