Vivências e convivências

Vivências e convivências

domingo, 21 de agosto de 2016

Secretariado Executivo > cenário atual: busca por competência e comportamento ético (parte II)



A resposta: pelo viés da educação.

De acordo com Santos (2011, p. 38), Bourdieu defende que a educação assume uma importância capital na entrada para o campo profissional.  Afirma que “a formação, além de capacitar tecnicamente o futuro profissional, realiza o papel de adequação do olhar, da visão de mundo do futuro profissional às expectativas do grupo profissional.”
Nessa direção, acreditamos que a educação é e será o caminho para se (re)construir uma consciência coletiva na criação do sentimento de pertencimento ao Secretariado, bem como desenvolver as competências essenciais para se ter empregabilidade. Nada se constrói, ou se reconstrói sem educação. Só avançaremos no Secretariado, e com o Secretariado, pelo viés da educação. A educação é a chave para abrir caminho para a excelência pessoal, social e profissional, e nos permite buscar sermos melhor hoje do que ontem. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver, todos os dias misturamos a vida com a educação.

 
De forma resumida e bem objetiva, fato é que precisamos manter o coração de estudante pulsando durante toda a vida.
Como diz Freire (1997, p. 28), “a educação tem caráter permanente. Não há seres educados e não educados. Estamos todos nos educando.” Afinal, o ser humano é um ser inacabado, está sempre em construção.
Defendemos um processo de educação que proporcione uma leitura de mundo, o desenvolvimento da capacidade da pessoa de se engajar em projetos e ações, consciente de sua responsabilidade social e ética; consciente da necessidade de aprender a aprender e saber pensar, para poder agir e ajudar a transformar o contexto no qual está inserida. (WAMSER, 2000). Defendemos uma educação que dê conta de (re)construir uma consciência ampliada desse pertencimento tanto ao Todo Cósmico como ao Secretariado.
Como docentes, precisamos levar os estudantes a aprender a aprender e desenvolver a responsabilidade pela construção do seu conhecimento. Para Moraes (1997), o processo de construção do conhecimento acontece através da aprendizagem, que não significa memorização pura e simples, mas significa dizer que, se o sujeito efetivamente aprendeu, será capaz de construir o conhecimento tempos depois. O sujeito constrói o conhecimento, fazendo uso do raciocínio, da percepção do mundo externo pelos sentidos e sensações, dos sentimentos, das emoções, da razão, da intuição. Constrói o conhecimento a partir de sua interação com a realidade.

Fato é que a educação formal ainda está apoiada numa visão tradicionalista que reforça a fragmentação do conhecimento, continua centrada no professor e na transmissão do conteúdo. Wamser (2000) ressalta que os conteúdos trabalhados em sala de aula raramente são extraídos do cotidiano dos estudantes, de seus problemas práticos. São, algumas vezes, tão distantes que os estudantes questionam o porquê deste ou daquele assunto.

Alguns professores, infelizmente, estão voltados unicamente para sua disciplina. São raros os que têm visão geral das disciplinas que compõem a estrutura curricular do curso de Secretariado. Assumem as aulas, mas não se comprometem com o curso. Não têm uma participação efetiva na construção do conhecimento e desenvolvimento de competências dos estudantes. Sabem pouco de seu cotidiano.

Por outro lado, há também professores empenhados em enfocar conteúdos cada vez mais próximos da realidade dos estudantes, usando a pesquisa como atitude cotidiana, evitando o mero repasse copiado de informações. Desafiam os estudantes através de reflexões, enquetes, situações-problemas e seminários, a não se contentarem em reproduzir determinado conhecimento acumulado, mas sim reelaborá-lo depois de confrontá-lo com suas próprias experiências. Enfim, propiciam condições para o estudante ler, questionar, investigar, refletir, analisar e emitir seu ponto de vista. (WAMSER, 2000)

Moraes (1997) é defensora de uma educação global que leva o estudante a trabalhar em harmonia e compreensão, a desenvolver padrões de comportamento como cooperação, criatividade, responsabilidade, respeito aos direitos humanos. Consciente de fraternidade humana e a percepção de que não estamos sós e de que não podemos crescer isolados. Podemos dizer que precisamos de um processo de educação que promova a expansão do capital espiritual com cujo potencial todo ser humano nasce, e que se reflete em valores, princípios e propósitos que compartilhamos.

Nas palavras de Zohar e Marshall (2004, p. 15), inteligência espiritual “é aquela por meio da qual acessamos nossos valores mais profundos, que nos faz usá-los nos processos mentais, nas decisões que tomamos e nas realizações que valem a pena.” A inteligência espiritual é a inteligência moral com a qual exercitamos a bondade, a verdade, a beleza e a compaixão.

Torna-se necessário, contudo, aprender a olhar sob uma perspectiva mais global, holística, integral, onde o “todo seria mais do que a soma das partes”, de acordo com Edgar Morin, lembrado por Moraes (1997, p. 72). E ao mesmo tempo “o todo está também em cada parte”, no que a autora destaca que “um indivíduo não está somente dentro da sociedade, mas a sociedade enquanto todo está também dentro do indivíduo (através de seus hábitos culturais, das influências em suas estruturas mentais etc)”.

Essa visão, para Moraes (1997, p. 73), “nos leva a compreender o mundo físico como uma rede de relações, de conexões, e não mais como uma entidade fragmentada, uma coleção de coisas separadas”. Vai exigir de cada um de nós um grande esforço, diariamente, para nos afastarmos sempre mais de uma visão de mundo cartesiana, mecânica, que nos separa de nossos relacionamentos, não reconhece a importância do contexto no qual estamos inseridos.

De forma mais objetiva, no sentido de desenvolver maior sentimento de pertencimento e competências para o exercício profissional, a educação pode colaborar ajudando o profissional a, primeiro, compreender a si mesmo (autoconhecimento), para saber quem é, qual o seu mais alto potencial, quais os seus talentos, as suas qualidades e os defeitos que possui (MORAES, 1997). Segundo, pode ajudá-lo a desenvolver uma autoconsciência crescente do que é importante na vida e na profissão, de que a sua responsabilidade é bem mais ampla do que ter o Secretariado apenas enquanto profissão. A contribuição deve ser no sentido de possibilitar a compreensão das dimensões que a profissão abarca, no que ela se constitui para a sociedade enquanto profissão, e no que ele representa para a sociedade como pertencente ao grupo profissional. Zohar e Marshall (2004) enfatizam que o ser humano tem a obrigação de assumir alguma responsabilidade pela sociedade. Parafraseando, podemos dizer que um profissional tem a obrigação de assumir alguma responsabilidade pela profissão que decidiu ter.

Em terceiro ponto, a educação pode ajudar a construir uma postura profissional pautada em princípios e valores éticos, traduzidos em credibilidade, envolvimento, comprometimento e respeito com a coletividade em forma de liderança.
 
A sustentabilidade do Secretariado como profissão será garantida com o comprometimento de todos que pertencem ao grupo profissional, e à medida que aumentar o grau de pertencimento de cada um deles.

De forma resumida, podemos dizer que demonstrar sentimento de pertencimento à profissão significa:

Ø  comprometimento e orgulho de exercê-la.
Ø  mostrar, com exemplos, que vale a pena optar pelo Secretariado.
Ø  valorizar a história de vida e levá-la em consideração na construção da carreira.
Ø  ser gestor do próprio conhecimento e construir um plano de carreira audacioso que contemple o desenvolvimento pessoal e profissional.
Ø  engajar-se em grupos de estudo, de pesquisa e de intercâmbio de experiências para aprender novas metodologias, compartilhar experiências e conhecimentos.
Ø  criar, ampliar e aprimorar as condições de assessoramento por intermédio da formação continuada para manter a empregabilidade, agregar valor e responsabilidades ao cargo.
Ø  construir uma imagem de credibilidade pela convivência harmoniosa com as pessoas nos diversos ambientes.
Ø  incentivar jovens a optarem pela profissão, enfatizando, entretanto, o quão importante é investir na formação acadêmica e profissional para atuar na área.
Ø  posicionar-se (jamais omitir-se) em discussões que porventura estejam se referindo à profissão como uma atividade de menor importância, depreciando sua imagem. Aproveitar a oportunidade para esclarecer o que é ser profissional do secretariado na atualidade.
Ø tornar-se um “líder a serviço”, ou seja, um líder disposto “a servir à comunidade, ao planeta, à humanidade, aos futuros, à própria vida”. (ZOHAR, MARSHALL, 2004, p. 37). Um líder que, ao lado das lideranças corporativas, possa atuar por intermédio de suas ideias e ações para contribuir na transformação do mundo dos negócios em um sistema mais humano e plenamente sustentável.
Certamente, essa postura de pertencimento irá, também, exigir das Instituições de Ensino Superior um sentimento de comprometimento com a formação de Secretários competentes pessoal e profissionalmente e capazes de viver e conviver com mudanças organizacionais, administrativas, tecnológicas e ambientais, e que, acima de tudo, se compreendam e sejam acessíveis, também, à compreensão das pessoas e das coisas. (WAMSER, 2000).

Entendemos que, mesmo diante do atual cenário econômico-político conturbado que estamos vivenciando no Brasil, empenhar-se na construção de competências que sejam pautadas em princípios e valores éticos é o caminho mais seguro para se ter empregabilidade e felicidade no que se faz.

Costumamos por vezes pensar, ou até verbalizar, que quem deveria participar dessa reflexão não está aqui. Verdade! Contudo, quero acreditar que é nossa missão, é a missão de quem está presente nesse Congresso, é a missão de quem tem sentimento de pertencimento à profissão, criar a sinergia com os que não puderam estar aqui, ou não quiseram estar aqui, ou não tem consciência de sua ausência de pertencimento por falta de conhecimento ou informação.

Fazer networking profissional é isso: exercitar o sentimento de pertencimento à profissão para fortalecê-la, para unificar ações, clarificar conceitos, (re)escrever o que precisa ser revisto frente às inovações  técnicas e tecnológicas.

É sair de um Congresso dessa envergadura com as energias renovadas por saber que estamos caminhando na mesma direção dentro do grupo profissional, que é a unicidade que o faz ser um grupo profissional respeitado no mundo corporativo.

Sejam todos muito felizes em suas conquistas com competência, responsabilidade e pertencimento!

 
 

Autoria: Professora Eliane Wamser

Mestra em Educação: Ensino Superior; Consultora e instrutora de treinamento nas áreas de: Etiqueta Empresarial e Protocolo Corporativo, Assessoramento Executivo e Postura Profissional no Atendimento. Especialista em desenvolvimento profissional e capacitação de profissionais do secretariado e assessoria executiva; Professora do curso de Secretariado Executivo Bilíngue da Universidade Regional de Blumenau (1992-2009);Professora do curso de pós graduação em Assessoria Executiva Empresarial, pela Universidade Regional de Blumenau, ministrando a disciplina Tempo, Organização e Planejamento.
Membro da equipe de coordenação do Grupo de Intercâmbio de Experiências de Secretárias da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (Blumenau-SC);
Parecerista da Revista Científica de Gestão e Secretariado – GeSec;
Autora do livro A secretária que faz...
Curriculum na Plataforma Lattes:  http://lattes.cnpq.br/8263111677071217

REFERÊNCIAS 

D`AMBRÓSIO, U. A era da consciência. São Paulo: Editora Fundação Peirópolis, 1997. 

FARINA, B.C.; TRARBACH, D.M.  Inclusão e a formação de lugares: do pertencimento à estigmatização. (2009) Disponível em: ttp://www.agb.org.br/XENPEG/artigos/ GT/GT3/c3%20(40).pdf Acesso em: 15 mai. 2016. 

FREIRE, P. Educação e mudança. 21.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997. 

MORAES, M. C. O paradigma educacional emergente. Campinas, SP: Papirus, 1997. 

MUSSAK, E. Metacompetência: uma nova visão do trabalho e da realização pessoal. São Paulo: Editora Gente, 2003. 

SANTOS, A. F. P. R. Principais abordagens sociológicas para análise das profissões. BIB, São Paulo, no. 71, 1º semestre de 2011, p. 25-43. 

WAMSER, E. A secretária que faz. Blumenau: Nova Letra, 2010. 

WAMSER, E. O impacto das mudanças organizacionais na profissão de secretário e a contribuição do estágio supervisionado em sua formação. 208f. 2000. Dissertação (Mestrado em Educação), Universidade Regional de Blumenau, Santa Catarina, 2000. Disponível em: http://www.abpsec.com.br/abpsec/index.php/a-pesquisa/repository/Dissertação/O-IMPACTO-DAS-MUDANÇAS-ORGANIZACIONAIS-NA-PROFISSÃO-DE-SECRETÁRIO-E-A-CONTRIBUIÇÃO-DO-ESTÁGIO-SUPERVISIONADO-EM-SUA-FORMAÇÃO/. Acesso em: 15 mai. 2016. 

ZOHAR, D.; MARSHALL, I. Capital espiritual: usando as inteligências racional, emocional e espiritual para realizar transformações pessoais e profissionais. Rio de Janeiro: BestSeller, 2006.

 

Secretariado Executivo > cenário atual: busca por competência e comportamento ético (parte I)




É com grande satisfação que estamos aqui para conduzir a reflexão inicial do XIX CONSEC sobre a relevância de se visualizar as novas exigências para a empregabilidade diante do cenário posto. Cumprimento a todos e todas presentes.
        Inicio minha reflexão com uma provocação por meio do seguinte questionamento: Que cor você escolheria para representar o cenário atual se tivesse diante de si uma caixa de 24 lápis de cor?

 
        Certamente, antes de tomar a decisão de que cor escolher, em sua tela mental deslizaram slides sobre a recessão econômica, a volta da inflação, o desemprego atingindo a taxa de 11,3% - lembrando que em 2003 chegou a 12,3%), a desconfiança nas lideranças políticas devido à corrupção desenfreada, desastres ambientais, falta de respeito pelo ser humano – um matando o outro por nada, e por aí vai. Alguns talvez visualizaram o cenário sombrio, desalentador, desanimador, frustrante, do “nada vale a pena”.
        Outros, visualizaram o mesmo cenário econômico-político caótico, turbulento, confuso, indefinido. No entanto, mantiveram-se confiantes, de que nada é para sempre, “há sempre uma luz no final do túnel”, apontando oportunidades de crescimento pessoal e profissional.
        Há pessoas que conseguem lidar com cenários de instabilidade, onde nada é permanente, onde a certeza é a mudança, com mais facilidade que outros. Demonstram uma capacidade de se adaptar diante das situações.
É tão certa a mudança, que ela acontece em nossa vida diária, e muitas vezes nem nos damos conta disso. Acontece na cidade, no bairro, na rua; mudança do número de telefone, do endereço de e-mail, de provedor, de ideias, de amigos, do jeito de organizar a sala de estar, de local de trabalho. A sociedade também está em movimento e precisamos nos adaptar e mudar com ela.
“Tudo flui como um rio”, já afirmava Heráclito de Éfeso (nasceu em 535 a.C.), filósofo pré-socrático. “Não podemos nos banhar duas vezes no mesmo rio, porque suas águas não são as mesmas e nós também não somos os mesmos.” Tudo está em constante movimento, nada é permanente.
O que diferencia uma pessoa da outra, de forma geral, é a postura mais otimista que faz do cenário atual, demonstrando uma capacidade adaptativa mais aguçada. Capacidade que possibilita manter-se empregável, visualizar novos campos de atuação profissional e buscar um diferencial competitivo. Mesmo diante de adversidades e instabilidades consegue perceber oportunidades para ser e fazer diferente e assim ser e fazer o melhor.
Outra pessoa, do contrário, pode enxergar tudo perdido, e paralisa suas ações, auto sabotando o seu querer fazer e ser melhor.
        Assim, como há profissionais que visualizam oportunidades diante do cenário fragilizado atual, também há empresas/organizações que aprenderam a lidar com cenários de instabilidade, onde nada é permanente, onde a mudança é a certeza.  E estão indo além de ações pontuais, abarcando novas oportunidades de negócios, com procedimentos e sistemas que reduzem os impactos socioambientais (reengenharia de processos). Outras criam novos nichos de negócios, investem em pesquisa e desenvolvimento; na capacidade de inovação, em novos modelos de produção e gestão de negócios; no processo contínuo de retenção e capacitação de talentos.
Por conta disso, estão em permanente busca por profissionais com a capacidade de se adaptarem a esse constante movimento e mudança do mercado. Estão em busca de profissionais com conhecimentos e qualidades comportamentais, que sejam aptos e capazes de resolver problemas, com capacidade de decidir diante de situações que se apresentam. Que saibam empreender. Para Eugênio Mussak (2003, p. 121), em seu livro Metacompetência, empreender “é fazer o que ninguém fez, encontrar novas soluções para antigos problemas, antecipar respostas a perguntas ainda não formuladas, agilizar processos, facilitar trâmites, acelerar resultados, colocar o sorriso antes do motivo para sorrir.” Considera  empreender uma característica humana. Deixar de empreender é boicotar a sua própria essência.
Um profissional, com característica empreendedora, para competir e ser empregável no mundo do trabalho atual precisa desenvolver determinadas competências, porque apenas querer não é o suficiente para ter empregabilidade e empreender. Como se diz no senso comum é preciso ter competência para se garantir no mercado de trabalho.
O que é ter competência?
Mussak (2003, p. 52) define competência como “a capacidade de resolver problemas e atingir objetivos propostos.” Chama atenção para a ligação entre competência e resultado, afirmando que a competência é diretamente proporcional ao resultado obtido, porém inversamente proporcional ao tempo consumido para atingi-lo e ao volume de recursos (ou esforços) utilizados. Para se atingir a competência, apresenta a equação: conhecimento x habilidade x atitude = competência, enfatizando a necessidade de se equacionar os três elementos (saber, poder e querer) para se obter o resultado esperado.
Para Wamser (2000, p. 91) a palavra competência pode ser usada para “designar as capacidades que possibilitam a um profissional exercer sua profissão com excelência e ser empregável, reconhecendo a sua função social no contexto em que está inserido.”
Na mesma direção, Fleury e Fleury (2001, p. 188) definem competência como “um saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos e habilidades, que agreguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo.”
No caso dos profissionais do secretariado, a sua empregabilidade precisa contar com o desenvolvimento de diferentes competências, que Wamser (2010, p. 51) defende como essenciais, quais sejam: competência técnica, comunicacional e social.
Ø  Competência técnica na área de gestão: é importante para garantir o domínio e a aplicação de métodos secretariais e gerenciais em áreas específicas de atuação, fazendo uso de ferramentas, materiais, procedimentos, normas e sistemas corporativos.
Ø  Competência comunicacional: primordial para conhecimento e aplicação dos princípios técnicos da comunicação oral e escrita, com o objetivo de aprimorar a comunicação com clientes internos e externos e garantir a qualidade da informação.
Ø  Competência social > convivencialidade: fundamental para a convivência harmoniosa com as pessoas no ambiente profissional e social, por intermédio do relacionamento e da comunicação interpessoal, administração de conflitos e trabalho em equipe.
Ótimo! Resolvido! Certamente, não! A garantia da empregabilidade não está unicamente no desenvolvimento dessas competências, que são endossadas quando se faz o juramento no dia da colação de grau: “exercer a profissão dentro dos princípios da ética, da integridade, da honestidade, e da lealdade; respeitar a Constituição Federal, o Código de Ética Profissional e as normas institucionais; buscar o aperfeiçoamento contínuo e contribuir, com o trabalho, para uma sociedade mais justa e mais humana.”
Se fossemos considerar a mensagem advinda desse juramento, transferida literalmente para o fazer e o agir no cotidiano do Secretariado, teríamos automaticamente garantido a empregabilidade diante das competências desenvolvidas, que estão definidas nas Diretrizes Curriculares para os Cursos de Secretariado Executivo e, consequentemente, é o papel dos cursos de Secretariado. No entanto, isso não basta para o mundo do trabalho atualmente.
Falta o ingrediente primordial, para não dizer, essencial: as qualidades humanas, que vão balizar o comportamento ético do indivíduo no exercício de sua profissão. Valores de ética com os quais devemos nos conduzir para uma convivência saudável em sociedade, viver e saber viver com os outros. Solidariedade, compaixão, honestidade, lealdade, generosidade, responsabilidade, são algumas das qualidades humanas apreciadas em todos os contextos, inclusive no mundo corporativo.
O comprometimento com o grupo profissional é uma estratégia para lutar por uma colocação no mercado de trabalho. Decorre da conscientização e clareza por parte do profissional de Secretariado de que ele integra um grupo profissional que é regido por uma legislação, um código de ética e um escopo de atividades e atribuições que lhe são pertinentes. O comprometimento resulta na criação de um vínculo que permite contribuir com o grupo, sentir-se integrado e fazendo parte da construção da história desse grupo.
Estamos tratando da consciência de pertencimento, ou do sentimento de pertencimento de um profissional a uma categoria profissional. Convém mencionar que o sentimento de pertencimento também decorre do estado emocional, cultural e social do indivíduo em determinado contexto. (FARINA, TRARBACH, 2009).
O sucesso no desenvolvimento de competências está no equilíbrio que esse indivíduo tiver em todas as instâncias de sua jornada, quais sejam: família, saúde, amigos, vida espiritual, trabalho. 
Sentimento de pertencimento: como assim?
Estudos revelaram que os seres humanos são primariamente criaturas que procuram significado e valor (auto atualização). “Precisamos da sensação de que estamos fazendo algo que vale a pena e do impulso de um propósito.” (ZOHAR, MARSHALL, 2004, p. 34). O ser humano nasceu para viver em sociedade, porque não consegue viver sozinho. Precisa sentir-se aceito, útil, valoroso; fazendo parte de algo.
Para Abraham Maslow, psicólogo americano, o ser humano, como ser social, tem uma necessidade de pertencer a um grupo. Acreditava que muito do comportamento do ser humano pode ser explicado pelas suas necessidades e pelos seus desejos. Na pirâmide das necessidades que elaborou, a necessidade de pertencer ocupa o terceiro degrau.
Para Weber (1999, apud SANTOS, 2011, p. 31), “a profissão seria o meio de o indivíduo capacitado se inserir no mercado para satisfazer suas necessidades materiais ou imateriais”, como por exemplo, posições sociais, honras, títulos, em outras palavras, poder social. O mesmo pensamento é endossado por Larson (1977, apud SANTOS, 2011, p. 32) que entende “a profissionalização como uma estratégia para conquistar poder, prestígio e renda na sociedade”.
Aliado a isso, há a competição no mercado de trabalho e o fato de que não haverá espaço para profissionais que apenas se contentam em cumprir suas horas, fazer o seu trabalho e ir para casa. Terão que assumir responsabilidades, trabalhar por metas com as especificações de desempenho.
Da mesma forma que é preciso nutrir o sentimento de pertencimento ao Cosmos para cada um atingir seu estado de paz interior, que por sua vez é essencial, nas palavras de D`Ambrosio (1997), para que se encontre uma paz social, entendemos que é preciso se desenvolver o sentimento de pertencimento à profissão que se opta ter para se inserir e atuar no mundo do trabalho.
Como então incrementar o sentimento de pertencimento ao Secretariado, com o desenvolvimento de competências essenciais para se ter trabalho e remuneração sempre (= empregabilidade)?

A resposta: pelo viés da educação.